Há 65 anos, XV derrotava o Jabaquara e chegava na elite pela primeira vez

16 de fevereiro de 2017 - Galo da Comarca enfrentou o Leão da Macuco em uma melhor de três jogos, e saiu vitorioso

 

Imprensa

 

No dia 16 de fevereiro de 1952, o XV de Jaú derrotava o Jabaquara por 1x0 e conquistava o direito de disputar a elite estadual pela primeira vez em sua história. O jogo era válido pelo campeonato de 1951, que só terminou no ano seguinte. Vamos relembrar como foi o campeonato e o jogo derradeiro.

 

Jogadores que conquistaram o acesso pelo XV de Jaú. FOTO: Acervo XV de Jaú.

 

 

SEMIFINALISTA NO ANO ANTERIOR
Em 1950, o Galo da Comarca havia sido semifinalista da competição, mas não conquistou o acesso. Sendo assim, entrou como um dos favoritos para o torneio de 1951. Na época presidido por José Magalhães de Almeida Prado, mais conhecido como Zezinho Magalhães (que hoje dá nome ao estádio), o XV de Jaú montou um elenco forte. O técnico escolhido para levar o time ao acesso foi o argentino Armando Renganeschi. No elenco estava outro argentino, o zagueiro Grita, capitão da equipe e único jogador a disputar todas as partidas. O Galo ainda contava com os jogadores Dino Sani, Inocêncio, Gino, Gengo, Américo Murollo, Guanxuma, entre outros.

 

O Campeonato paulista da divisão de acesso de 1951 estava dividido em 4 séries: Leste, Oeste, Sul e Central. O XV de Jaú fazia parte da série "Central", ao lado de Palmeiras (também de Jaú), Olímpia FC, A.C Monte Azul, Uchôa FC, São Paulo FC (Araraquara), Paulista FC (Araraquara), Ferroviária (Araraquara) e Barretos FC.
Com um início arrasador, 6 vitórias consecutivas, o XV foi campeão do primeiro turno com uma campanha quase perfeita: 9 vitórias e 1 empate em 10 jogos. Foi conhecer sua primeira derrota apenas na 15ª rodada, 2x0 para a Ferroviária fora de casa.

 

 


Jornal "Comércio do Jahu", 04 de dezembro de 1951. FOTO: Acervo XV de Jaú.

 

 

SEGUNDA FASE
Na segunda fase, o XV de Jaú ficou ao lado de Botafogo (Ribeirão Preto), São Joanense (São João da Boa Vista) e São bento (Marília). O XV de Jaú se tornou o campeão de seu grupo, após 4 vitórias, um empate e uma derrota. Com essa conquista, o Galo da Comarca garantiu presença na final do campeonato, contra o Linense, campeão do outro grupo.

 

 


Jornal "Comércio do Jahu", 18 de janeiro de 1952. FOTO: Acervo XV de Jaú.

 

 

FINAL
Ficou definido que a final aconteceria em apenas um jogo, a ser realizado no estádio do Pacaembu, em São Paulo.
O Linense havia vencido 5 dos 6 jogos de seu grupo na segunda fase, e vinha empolgado. Mas o XV e toda a cidade de Jaú estavam eufóricos com a fase do time. A paixão pelo Galo da Comarca era contagiante. No sábado antecedente à decisão, foi decretado feriado na cidade para que os comerciantes pudessem acompanhar o jogo na capital.

 

 


Jornal "Comércio do Jahu", 25 de janeiro de 1952. FOTO: Acervo XV de Jaú.

 

 

Jornal "Comércio do Jahu", 27 de janeiro de 1952. FOTO: Acervo XV de Jaú.

 

 

Na ensolarada manhã do dia 27 de janeiro de 1952, às 9 horas, XV de Jaú e Linense se enfrentaram. Antes, uma peregrinação jauense tomou conta da capital paulista. Milhares de torcedores jauenses lotaram ônibus, estradas e trens que iam a São Paulo. Lotaram o Pacaembu, o "Gigante de cimento armado".

Antes do jogo, o capitão quinzeano Grita disse que sentia algo no peito, um sensação de que o XV de Jaú venceria.
Logo aos 30 segundos de jogo, Guanxuma abriu o placar para a equipe jauense. Ao final do primeiro tempo, o placar marcava 2×2: Pinga (XV) e Américo Salomão e Washington (Linense) também marcaram.

Mas na etapa final, Pinga e Américo Murolo marcaram para o Galo, que se tornou campeão de direito da divisão de acesso. XV de Jaú 4x2 Linense! Era o terceiro título do XV naquele ano: campeão da "Zona Central", campeão do "Primeiro Grupo" e agora campeão do interior!


A cidade entrou em êxtase, mas o XV de Jaú ainda teria mais um obstáculo pela frente, proporcionado pela Federação Paulista de Futebol.
 

 

Jornal "Comércio do Jahu", 29 de janeiro de 1952. FOTO: Acervo XV de Jaú.

 

 

JABAQUARADA
Mesmo com o título de campeão do interior, o acesso para a elite do futebol ainda não estava garantido para o Galo da Comarca. Isso aconteceu por causa de uma manobra da Federação Paulista, na tentativa de proteger o Jabaquara Atlético Clube, de Santos.


O Jabaquara, também conhecido como "Jabuca" ou "Leão da Macuco", terminou na lanterninha da primeira divisão paulista (repetindo 1950, mas naquele ano não houve descenso). Sendo assim, a Federação Paulista criou uma série de três jogos entre XV de Jaú e Jabaquara. O vencedor garantia presença na primeira divisão de 1952.

Na primeira partida, no estádio Arthur Simões em Jaú, vitória do XV de Jaú por 5x0. Na segunda partida, em Santos, vitória do Jabaquara por 2x0.

 

FOTO: Acervo XV de Jaú.

 

 

ESTAMOS NA ELITE!
Com uma vitória para cada lado, era necessária uma terceira partida, em campo neutro. O Jabaquara sugeriu que o jogo fosse realizado na Vila Belmiro. O presidente do XV de Jaú respondeu sugerindo que o jogo fosse realizado em Araraquara, no estádio da Ferroviária. Sendo assim, a Federação Paulista designou os cinco melhores estádios do estado (Moisés Lucarelli, em Campinas; Pacaembu, Parque Antártica, Parque São Jorge e Rua Javari, em São Paulo) para um sorteio. O escolhido foi Moisés Lucarelli, estádio da Ponte Preta em Campinas.

 

Novamente a cidade demonstrou sua paixão pelo XV de Jaú. Passagens de trem foram fretadas para a população, patrões determinaram feriado para que os trabalhadores pudessem viajar até Campinas, pedaços de panos foram ofertados aos torcedores para fazer bandeiras.

 


Jornal "Comércio do Jahu", 14 de fevereiro de 1952. FOTO: Acervo XV de Jaú.

 

Jornal "Comércio do Jahu", 15 de fevereiro de 1952. FOTO: Acervo XV de Jaú.

 

 

Jornal "Comércio do Jahu", 16 de fevereiro de 1952. FOTO: Acervo XV de Jaú.

 

 

Na tarde de 16 de fevereiro, milhares de jauenses foram até Campinas para apoiar o XV de Jaú.


No primeiro tempo, embora o XV de Jaú jogasse melhor, o placar não se alterou. As emoções estavam guardadas para a segunda etapa.

Logo no início do segundo tempo, aos 6 minutos, um escanteio a favor do time do XV de Jaú. O ponta-esquerda Itamar bateu à meia-altura. A bola encontrou-se com a cabeça do ponta-de-lança Américo. Foi ao encontro da cabeça do ponta-direita Guanxuma. Da cabeça de Guanxuma para o gol. Era o vigésimo terceiro gol do artilheiro da equipe naquele ano. Guanxuma também foi convocado para Seleção Paulista de Futebol naquele ano, em excursão ao exterior.
 

 

Gol de Guanxuma no Moisés Lucarelli, abrindo o placar para o XV de Jaú contra o Jabaquara. FOTO: Acervo XV de Jaú.

 

 

Torcida do XV de Jaú no Moisés Lucarelli, contra o Jabaquara. FOTO: Acervo XV de Jaú.

 

 

Os jogadores do Jabaquara cercaram o árbitro do jogo, Dante Rossi. Reclamavam que o escanteio que originara o gol não tinha existido. As reclamações eram tantas que não permitiam o reinício do jogo. Tão acintosas que provocaram as expulsões de três jogadores: Barbui, Alemão e Olegário. Com apenas 8 jogadores, o Jabaquara não prosseguiu no jogo. Abandonou o campo alegando que o gol saíra de um escanteio inexistente, e o XV de Jaú foi declarado vencedor da partida.

 

Jornal "Comércio do Jahu", 19 de fevereiro de 1952. FOTO: Acervo XV de Jaú.

 

 

Jornal "O Estado de São Paulo", 19 de fevereiro de 1952. FOTO: Acervo XV de Jaú.

 

Esse jogo também marcou o surgimento de um termo que passou a ser utilizado na política jauense: o "JABUQUISMO". Ele foi utilizado quando Zezinho Magalhães (o então presidente do XV de Jaú) iria assumir o cargo de prefeito de Jaú. No dia 6 de março de 1952, aconteceria a posse do novo prefeito na Câmara. Porém, os partidos de oposição não apareceram, deixando a sessão sem quórum necessário para oficializar a posse do prefeito. Neste momento, alguém gritou: "Parecem os Jabucas", em alusão aos jogadores do Jabaquara que abandonaram a partida.

 

 

Tiago Pavini/Assessoria de Comunicação XV de Jaú

 

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