O porteiro do Zezinho Magalhăes

18 de julho de 2017 - Val é porteiro do estádio e também é quinzeano fanático:

 

Imprensa

 

“Eu gosto do XV, sou fanático. Sou doente mesmo. Quando é dia de jogo aqui e tenho que ficar no portão, eu fico maluco (risos)”. Quem fala isso é Valdevino da Silva Matos. Ou simplesmente Val. Se você passou pela portaria do estádio Zezinho Magalhães que dá acesso ao Centro de Treinamento, certamente já deve ter ouvido um bom dia dele. Atualmente, Val é porteiro do estádio. Mas até ele vir parar aqui foi uma longa caminhada.

 

 

 

Val se tornou XVzeano por causa das visitas que fazia a Jaú para visitar a esposa. FOTO: Tiago Pavini/Assessoria de Comunicação XV de Jaú.

 

 

 

DE JANUÁRIA PARA JAÚ
Em 1948, o XV de Jaú passou do amadorismo para o profissional. Dois anos antes, em Januária, interior de Minas Gerais, nascia Valdevino. Mas pouco ficou em terras mineiras. “Com três anos eu já estava indo para São Paulo por causa do trabalho de meu pai”, conta. O pai de Val era policial. Chegou a insistir para que seu filho seguisse o mesmo caminho, mas não teve jeito. “Cheguei até a fazer curso, e não me interessei. Mas tive muitas oportunidades, trabalho nunca faltou”, relembra. Trabalhou em fábrica de fósforos, de máquinas, já foi pintor, vendeu guaraná, entregou pão, trabalhou em mercado. “Já fiz de tudo, a única coisa que eu não fui é ser ladrão (risos)”.


Quis o destino que, em plena capital paulista, Valdevino conhecesse uma moça de Jaú. Se tornaram amigos. A amizade virou paixão. E, em 2017, Valdevino e Anizia completam 42 anos de casados. “Ela trabalhava em São Paulo, mas morava em Jaú. Ela nunca se acostumou com a capital, então falou para eu vir para cá. Vim, me acostumei e gostei da cidade”, fala. Val deixou seus sete irmãos em São Paulo e se mudou definitivamente para Jaú em 1980. Mas antes, vinha com certa frequência para a capital do calçado feminino visitar Anizia. A paixão por ela só aumentava. E outra paixão foi nascendo no coração do Val: o XV de Jaú.

 

 

 

O XV DE JAÚ
Entre as idas e vindas a Jaú, Val sempre encontrava um tempo para acompanhar o Galo da Comarca. Viu de perto o time ser campeão e conquistar o acesso em 1976. “Eu fui para Campinas assistir o jogo decisivo no Brinco de Ouro. Fui de trem. Eu estava lá com o povão jauense no jogo contra o Aliança. Nós ganhamos, conquistamos o acesso e foi uma festa enorme”, recorda.

 

 


  "Comércio do Jahu", 19 de dezembro de 1976. FOTO: Acervo XV de Jaú.

 

 

 

"Comércio do Jahu", 19 de dezembro de 1976. FOTO: Acervo XV de Jaú.

 

 

Em 1977, naquele emblemático XV de Jaú 3x0 Corinthians no Jauzão, Val também estava presente. “Eu vim visitar a Anizia, e aí aproveitei para ver o jogo. Dois gols do Poiani e um do Ademir Mello, foi um passeio! E também teve uma ‘brigaiada’ nas arquibancadas, teve até mulher invadindo o campo e levando rasteira da polícia. A torcida do XV botou a torcida do Corinthians para correr! Mas eu não participava das brigas não, só assistia (risos)”, fala.

 

 

  

 

 

Em 1978 o estádio Zezinho Magalhães recebeu iluminação para jogos noturnos. A inauguração foi em uma partida amistosa contra o Cerro Portenho, que havia sido campeão paraguaio. O Galo venceu por 3x0. “Eu estava lá naquele jogo também! A iluminação do Zezinho era a melhor do interior. Era não, ainda é!”.

 

Os refletores do estádio também foram motivo para zoar o rival Noroeste. “Uma vez fomos assistir XV de Jaú e Noroeste, lá em Bauru. Nós levamos velas e isqueiros para tirar sarro deles, porque não dava para ver o outro lado do campo de tão escuro que era, os refletores deles eram ruins. Acendemos as velas e os isqueiros para ajudar a clarear (risos)”, relembra.

 

 

FUNCIONÁRIO DO CLUBE
Logo quando chegou na cidade, no início dos anos 80, Val se aproximou ainda mais do XV de Jaú: começou a trabalhar na bilheteria. “Não era um trabalho fixo, era só nos dias de jogos. Mas fiz a bilheteria do XV por muito tempo”. Val viu de perto a campanha vitoriosa do XV na elite paulista de 1981, quando o time chegou a liderar a competição invicto e se classificou para a Taça Ouro do ano seguinte, equivalente à primeira divisão nacional. “Teve um dia que eu fui visitar minha família em São Paulo. Estava indo para o Terminal Tietê, e parei em uma banca de jornal. Peguei a Gazeta Esportiva e lá estava escrito ‘Tricolor do Morumbi encara o líder no Jauzão’. Que orgulho quando eu li isso!”, conta.


Em 1995, quando o XV conquistou o acesso pela último vez para a elite paulista com o técnico argentino José Poy, Val esteve presente nos jogos dentro e fora de Jaú. Inclusive na famosa invasão da torcida quinzeana a Mogi Mirim. “Eram uns 15 ônibus que foram pra lá, e teve muitos carros também. Tinha mais ou menos umas 5 mil pessoas de Jaú em Mogi. Rapaz, saiu uma pancadaria generalizada lá, tudo por causa de um gandula que ficou ‘fazendo cera’ quando perdíamos por 1x0. A torcida deles começou a tacar pedra na gente, parecia um monte de andorinha que vinha pra cima de nós de tanta pedra(risos). Não dava nem pra assistir a partida. Aí foi pedra de lá pra cá e de cá pra lá. No final, o França ainda empatou o jogo”, fala.
 

  

 

 

 

RETORNO
Val trabalhou no XV novamente em 2012, desta vez como roupeiro. Em 2016, se tornou funcionário do clube novamente. Com 70 anos nas costas, é o porteiro do Zezinho Magalhães até hoje. Presente nas principais invasões da torcida do XV à outras cidades (Campinas em 1976 e Mogi Mirim em 1995), Val também esteve presente na caravana que invadiu Santa Cruz do Rio pardo ano passado. Foram 10 ônibus e vários carros particulares que acompanharam a vitória por 2x0 do XV e classificação para as semifinais.

 

 

 

Val, na extrema direita indicado pela seta, posa para a foto oficial do time Campeão Paulista Sub20 em 2016. FOTO: Tiago Pavini/Assessoria de Comunicação XV de Jaú.

 


E quando não dá para acompanhar o XV fora de Jaú, ele liga o radinho. “Eu ouço pela rádio, parece que eu estou dentro do campo. Chuto a bola junto os jogadores (risos)”.
Hoje, Val e Anizia têm três filhas e três netos. “Sou muito dedicado a família. Tenho meus defeitos, mas é como diz aquele ditado: minhas qualidades cobrem os meus defeitos (risos)”.

 

A dedicação de Val com a família se parece com a dedicação ao XV de Jaú. “Não gosto que falem mal do XV. Tem uns caras aí que nunca vieram no campo e falam besteira, aí eu não aguento né. Tem muito corneteiro”. Val assistiu o XV ser campeão em 1976, ir para a elite em 1995 e está esperançoso: o XV vai voltar a enfrentar Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo de igual para igual. “Tenho certeza! Esse ano já vamos conquistar o acesso, e vamos melhorando cada vez mais. Vamos voltar a ver os times grandes passar ‘perrengue’ aqui em Jaú (risos)”.

 

 

 

Em dias de jogos, Val se divide entre a portaria e a tensão em escutar a partida pelo radinho. FOTO: Tiago Pavini/Assessoria de Comunicação XV de Jaú.
 

 

 

 

Tiago Pavini/Assessoria de Comunicação XV de Jaú

 

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